quarta-feira, 27 de julho de 2011

Desabafo (2)

http://tonypapesh.deviantart.com/

Em nuvens eu vejo todas as palavras que eu não ousei dizer, seguro algumas apenas para observar todas as coisas que eu deixei para trás, mesmo não tendo certeza de nada, eu preferi ficar apenas observando as peças do tabuleiro enquanto os dias se passavam e logo foram os anos, sentada como um jogador que ainda não está pronta, mas para todos é como se eu fosse o camisa 10, que eu ganho todas as partidas, que eu sou o melhor de todos, e só eu pareço ver, o fracasso de toda essas historias, de todo o tempo que não posso mudar.

Naquele silêncio eu ouço as vozes me chamando.

Mas tenho medo de voltar no passado e me encontrar com um milhão de dias que eu só pensei em você, e nas coisas que eu não deveria fazer, eu não quis viver, eu apenas estava deixando as peças se movendo, enquanto eu achava que controlava tudo, tudo é o que me controlava, sempre foi o meu medo que me controlou, talvez tenha sido o nosso medo que nos controlou, é algo que eu não sei lhe dizer, ou talvez eu saiba eu apenas não sei como dizer.

O vento me cortou em dois, e eu nunca fui o amor, eu sempre precisei ser dor para me sentir como eu sou.

Me disseram que eu era forte, e que não me apaixonar era a melhor coisa para se fazer, mas no fundo eu sei que não é bem assim, viver apenas de sonhos sem se entregar nunca foi bom, existe um mundo real lá fora, e deveria hoje sair para buscar todas as coisas, mas o medo ainda vem me chamar, isso sou eu, o fraco do amor.

O sol não me aquece, quando chove eu sempre saio para me molhar, quando tenho que seguir em frente eu apenas paro, quando eu tenho que sorrir eu estou sempre chorando, se isso é ser forte, devo ser o mais forte do mundo.

Flores caindo, e o meu coração já foi todo destruído, tanta proteção que ele até deixou de existir e esfarelou como uma folha de outono, não sinto dor, eu queria chorar de desespero, mas isso eu não posso fazer, me privei dos sentidos, agora não ouço, vivo na escuridão dos sentidos.

No fundo uma luz me chama, eu não posso ouvir a sua voz, mas meu coração palpita tão rápido, que só assim posso saber que alguém talvez me espere, e quando tudo estiver sento estaremos juntos, mesmo que seja apenas em mentes, e corações, mesmo que o meu coração não esteja aqui, e sei podemos partilhar o seu, podemos viver apenas de um coração, mas agora já é tarde, eu posso ver o sol indo embora.
Todas as cores partiram e logo estou novamente sozinha, do lugar de onde nunca pude sair, eu apenas me deixo voar com meus sonhos, podemos estar rodar em todas as palavras mais a vida é:
Que quando estou sozinho me prendo na escuridão e prendo o meu ar, e não pretendo mudar, e cada vez que eu deixo um outro amor acontecer, eu fico pensando em um amanhã, onde o nada e o igual é sempre o meu novo

Não ausenta a dor, pisar em pedaços de vidros, para ver os meus pés mudarem de cor.

Ariane Castro

(A verdade é que eu mudei o texto praticamente todo, tinha escrito ele faz uma semana e hoje mudei ele e como queria postar de qualquer jeito esse texto, coloquei, mas ele deveria ir para o descarte, nada deve fazer muito sentido, postei mesmo de sentindo e de modo que é mesmo para uma pessoa em especial ler.
Apesar que quando eu escrevo, parece que tudo sai da minha alma, e não se torna eu, se torna uma outra coisa. )
Ao som:
http://www.youtube.com/watch?v=A63VwWz1ij0
Paramore: Brick By Boring Brick

quinta-feira, 21 de julho de 2011

- Esperança


Ontem meu peito me contou uma historia de quando eramos dois jovens, na verdade éramos nos quatros, eu, você, meu coração e seu coração, me contou que eu quis ser apenas um, e meu amor foi recusado, tantas vezes, tantas vezes mesmo e eu não consigo me lembrar do som da sua voz, mas meu coração me diz que no fundo eu te guardei, tento puxar na memoria, olhando no espelho buscando uma imagem sua em meus olhos, e apenas vejo um reflexo que não parece o meu, nós dois um dia fomos jovens, eu disse ao coração e ele sorriu e disse que isso não importava agora, porque o tempo passa e a vida vem, fazendo que tudo seja uma nova esperança que cada dia seja único e que olhar para trás e ficar em um tempo que não podemos voltar, e quando eu lhe perguntou porque deseja me contar essa historia, ele apenas diz que é hora de se recordar que apesar de toda a dor, algum dia, teve algo de bom, algo que eu não posso supor.

Minha memoria se perdeu quando eu virei a esquina escura dos anos, minha mente é cinza, assim como a cor dos meus cabelos, e nos meus olhos, carrego marcas que parecem ser de alguma dor, e de uma ferida que já se fechou, e a voz do meu coração volta a falar sobre o meu passado e ela não compreende como posso ter esquecido de tudo assim, e sinto um aperto, aperto nesse peito que não me dá paz, e mesmo assim eu não consigo se livrar.

Meu...sim, meu coração me contou, não estou ficando louco, esquizofrênico, ou qualquer doença do tipo, juro que ouvi, a sua voz na minha mente e ele me disse de uma forma tão doce que um dia eu fui amor, e não poderia continuar a viver de rancor, que o ódio apenas nos fazendo mal, e que assim ele não poderia bater por mim e mesmo assim eu não pude fazer nada a não ser ouvir o que ele tinha para dizer, e ele me disse que um dia eu tive um sol, uma alma que eu só quis bem, que toquei seus lábios, que desejei a sua carne, que quis ter todos os filhos, que quis dar a minha vida apenas por um sorriso de outro alguém e então ele sussurrou: "Você já se lembrou?" E a voz dele pareceu ecoar, e nada me veio e nada brilhou, tive vontade de chorar, mas minhas lágrimas já secaram.

Eu sinto que não lembro que eu via em você a perfeição, que era como o sol que brilhava e aquecia sem olhar para quem apenas parte de você, era quem você era, que era como a coisa mais linda que o mundo já teve, que eu acreditava nas mentiras apenas para poder vê-la feliz, e mesmo que tudo que me dissesse me matasse, eu queria ver o sorriso que eu tanto me amava, eu me esqueci disso e de tantos outros detalhes que nem o meu coração ousa me contar.

Olhando para o passado eu não posso ver o seu rosto, porque nós nos desencontramos e eu agora já me encontrei com tantos outros rostos, mas eu não me lembro do seu rosto.

Deve ter sido a dor que apagou as lembranças, apenas para que eu não chorasse, hoje eu não consigo chorar, não tenho lágrimas, e não consigo me lembrar o porque, não sinto dor, não sofro, apenas sou como sou, não procuro o amor, queria apenas viver, mas o vazio parece que vem de longe, e meu coração apenas queria me dizer o porque, e de repente eu tive medo, e como uma estrela caída algo brilhou, e minha mente de acendeu, compreendi, me lembrei, me lembrei de um amor, tão puro inocente, que demorei na época para entender que era amor, mas coração não importa, e ele disse: "Vá mais fundo" e entrei nas lembranças do amor, quase me perdi em um sorriso, do qual 30 segundos antes eu mal se lembrava, e me senti tocado por um anjo, e as lágrimas encontraram os meus olhos, e eu não compreendi o porque de todas as lágrimas, e quando dei por mim, você me deu a mão e me levou com você, sim, meu coração parou e ele disse que era o momento de irmos para outro lugar, eu apenas fui, seguindo aquele velho amor.

Ariane Castro

( Um brinde ao meu retorno )
( Esperança, poderia ser Salvação mas o nome que me veio primeiro, foi o que ficou )
(Outra coisa não entendo em inglês, só algumas palavras, então não me inspirou na música, apenas pego algumas pelas emoções que me fazem sentir. )

Ao Som de 

sábado, 12 de março de 2011

- Estrela ( Minha estrela )

 

"Corre amor, o tempo passou e tudo que eu sentia se foi, é engraçado, vê o seu sorriso e não sentir a sua alegria, você foi embora antes de chegar, e eu não pude te esperar."

Sente o céu, sente as estrelas, vê o sol, vê a lua, acha as flores, esconde as folhas, tudo agora já está misturado, o gosto e as cores, o cheiro e o jeito, você não vai acreditar, roubei tudo isso para te dar, te trouxe o mundo, esqueci de embrulhar, por favor aceite.

É muito aos olhos de quem nunca amou e pouco para o meu coração que só sabe te amar, sinto algo cortar o ar e tudo parece silencioso e as suas palavras destrói o meu corpo, eu quero apenas me deitar entre os espinhos, não me sinto bem.

(Tudo é feio, tudo é triste, tão triste)

Me sinto estranha, meu corpo se mexe e tudo é música sem poesia, meu sentimento é negro você levou a minha alma.

O outono acabou não posso esperar, minhas malas estão prontas, e no fim eu sempre saberei  que eu faria tudo para você beijar as estrelas, levar as folhas, pegar o céu, velar a lua, cheirar as flores, sentir o vento, faria tudo para poder te salvar, porém já é tão tarde e o sol já foi embora, e as cores se perderam, as folhas voaram, a lua se desfez, as flores murcharam e as estrelas morreram, não choro, então não chore, não, não estou contando uma historia ruim, não me faça explicar o que eu não posso entender, corra, a porta fechou e eu levei todas as minhas malas, não guardei presente algum, porque nada restou.

Meu coração se apagou, e eu não tenho motivos para voltar.


Ariane Castro

( Só sinto, sinto. )

sábado, 5 de fevereiro de 2011

- Liberte-se




Liberte-se

Tenho estado entre estrelas, com o vento que canta, entre suas notas doce como sonhos que não acordo, estou cada dia apenas observando o pôr de sol que me cala por segundo e depois apenas o sono.

Cansada de uma realidade sóbria, vejo as pessoas em destruição, o sangue que jorra é forte, e tão vermelho que não sei dizer como pode durar, são tantas mortes computadas entre senhores que não se importam, que contam o seu dinheiro no fim do dia e vão beber ao som de uma música ruim.

Observo, porque só me sobraram os olhos, sobre a minha camisa de força feita sobre medida, em um sistema que para não dizer o ruim, é o melhor que temos, é o melhor que tenho e a fita que fecha a minha boca para silenciar um sentimento que agora só transmito no meu olhar, se pudesse gritaria todo instante, e isso me lembra o porque estou aqui, foi os gritos, todos aqueles gritos, me fizeram e me trouxeram até essa situação.

Roupa branca, e os pés descalço, meus pés estão cortados não sinto dor, é quase cómico sou uma figura patética que não se sabe ainda o que se deve chorar, ou apenas sorrir boba para que todos possam acreditar que tudo isso é normal.

Normal?
Sim, certo, esse é o certo, está tudo nos livros, cada lia dita com o que tem que ser feito, acho que o problema está em que eu não essa cartilha, e si li (ao qual eu duvido), li tudo ao contrário minha mente funciona de trás para frente, de frente para o lado.

Estou fora da realidade que me mandam viver, porque viver agora dói, e eu não entendo o que é dor, se não, o fim de todo esse procedimento, de toda uma historia que não deveria acabar.

Aos poucos é tanta dor que se estala nos povos que se sentem anestesiados, que começa nos pensamentos e segue por todo corpo, algumas crianças jamais irão chorar de dor, outras apenas deixam que a camisa de força e injeção seja colocada e se acomodam como nada querem.

Entram na luz das mentiras, e vivem na falsa felicidade, não vivem, vegetam, só vegetam.

Ontem rasguei a camisa de força, e tirei a fita, não me pergunte como, não fui eu quem tirou, foi a loucura que surgiu e me levou.

Ariane Castro

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

- Felicidade ( Você sempre soube )



FELICIDADE 

Outro dia soube que a felicidade estava em algum lugar, então peguei as minhas malas, e não parei nem para pensar, aquela noticia queimava no meu peito, era uma sensação tão bonita que inflamava, apenas subia e não parecia querer descer, tinha uma ansiedade, uma mistura, um gosto de liberdade. Dentro de mim algo parecia que estava pronto para explodir, e eu sabia ela estava em algum lugar e alguém já tinha se encontrado com ela, calcei os meus sapatos, e o meu desejo pela felicidade fervia de dentro para fora, e eu apenas fui, deixei o vento bater sobre o meu corpo, deixei minha mente vazia, deixei tudo fluir, porque esse era o certo, eu sabia, e eu sei e sempre vou saber que essa decisão mudou tudo e então eu corri...

...corri entre os campos, entre as nuvens, sem olhar para trás, pulei entre as estrelas, passei por dias quentes, e outros tão frios, eu não podia voltar, eu não queria voltar, mesmo que por vezes eu sentisse dores que eu não sabia controlar era o mundo do lado de fora que tinha tantas coisas que não se pode controlar, e a dor do próximo era a minha dor, e as minhas lágrimas são lágrimas de um milhão, só que o meu sonho se chama felicidade e dele eu não posso esquecer, e mesmo quando me senti tão cansado e tão só, que só podia e tinha vontade de chorar e essa era a minha dor, só minha, e nesse momento eu me lembrava que a felicidade estava escondida em algum lugar e eu não iria desistir.

Ao sentar eu ouvia a melodia do mundo, ela me dizia coisas tão lindas, e as flores aos poucos me recitavam versos, então eu corri...

... corri entre os campos, entre as nuvens, falei com pessoas , brinquei com crianças, colhi flores, busquei água na fonte, falei com os animais, eu brinquei, eu pulei, eu gritei, eu senti sentimentos que não sabia que existiam, eu vivi dias loucos com pessoas e gostos variados, algumas vezes dancei com a lua, cantei com o sol, e contei historias para as estrelas, deitei na grama, vi o sol nascer, vi o sol parti, comi, reparti, disse bom dia aos estranhos, disse boa noite para amigos, eu dormi, e eu sonhei, e só quando sonhei descobri que não precisava correr para lugar algum, a felicidade está aqui, está lá, está em todo lugar, você só tem que saber aproveitar, e só assim eu soube..

Eu corri...
...corri deixando os meus medos para trás, deixei o que me vazia mal apenas no passado, corri até meus pés doerem, até o dia passar, corri até cansar entre os campos, entre as nuvens, eu cantei, eu vivi, e só então entendi o que era ser realmente feliz.

Eu sempre soube,  eu sempre saberei.

Ariane Castro


sábado, 11 de dezembro de 2010

Do real...

Ontem eu queria poder dizer bom dia!
...ao real! 

Luzes piscando em todos os lugares, eu não estou em foco, não faço parte dessa cena, não faço parte de um show bizarro de falsos sentimentos, todos dançam,  gritando suas mentiras, estão jogando o tempo todo, a luz é forte e a música pesada, ninguém se segura, são beijos, mãos, pés, ninguém sabe onde está o que, todos reparam uns nos outros julgando o que o outro faz, reparam tanto que esquecem que todos fazem igual.

Os dias são tão iguais entre bebidas, e focos de luz e o calor que não para, os pulos não param, são tantas coisas, e no ar sempre o sentimento de que algo está errado, dinheiro rasgado, queimado e lançado.

Vomito, olhos, pessoas, dor, felicidade, euforia, dor, felicidade, cansaço, euforia, dor, vomito, bebida, vodka, vomito, amigos, música, luz, beijos, felicidade, sexo,  dor, euforia, felicidade, cansaço, vomito, fim...? Que fim? Não há fim, estão todos em um ciclo medíocre, enquanto existir bebida, enquanto existir alguém para julgar, estão todos vivos.

Janela aberta e não venta, a cabeça roda sem sentindo, não sei para todos estão indo, deito e o chão parece grama, e todos estão rindo, rindo de suas próprias convicções.

Para onde vão todos? 
Acredito que nem eles saibam, estão seguindo o vazio que foi naquela direção e virou na esquina por ambição, e pretendem achar algo que não existe, apenas por saber que esse é o propósito de todos, todos aqueles que estão indo, indo para lá, estou imóvel, não quero andar para nenhum lugar, é tão difícil entender que não faço parte dessa dança macabra, estão todos indo, todos, todos mesmo, vão mesmo, eu prefiro a solidão, do que a falsa companhia.

Estou deitada ainda, todos já se forem, as luzes estão apagadas e o silêncio reina,  parece que não resta ninguém, estou sozinha, não sou como as flores, não sou como o vento, sou como sou apenas, sou alguém obstinada a solidão por não saber se encaixar nesse mundo de falsidade, mentiras e desilusões.

Ariane Castro