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Sem fonte |
Andando com uma caixa debaixo do braço, paro, respiro fundo
e contemplo a sua imagem em minha , meu coração agora bate tão rápido que tenho certeza que
do outro lado da rua as pessoas estão ouvindo, vejo uma senhora alguns metros
de minha direção, ela olha para mim, e o aparelho de surdez dela parece
incomodar porque ela mexe nele, e me sorri, disfarço, e coloco a caixa junto do
meu peito como se pudesse abafar o som, puxo o ar, e meus olhos abertos parecem
viver um sonho, não vejo mais aquele lugar, meu coração bate a mil por horas,
você está ouvindo agora, tenho certeza, o sinal abre, eu atravesso a faixa de
pedestre, linhas brancas que marcam meus passos, se eu estou sozinho na rua não
posso definir, não sei se todos estão olhando para mim, ou se eu estou olhando
para todos com os olhos vazados como se todos fossem transparentes e através deles
eu pudesse enxerga o meu objetivo, chego do outro lado da rua, e saio apressado
em direção a sua rua, e a rua é sua, sua rua, é assim que eu sempre lembro
quando passo por perto, como uma lembrança boa sempre que vem acompanhado
quando observo a placa da rua das flores, é um bom nome para guardar você.
Quando viro a esquina, vejo os carros de cores que não lembro,
pessoas de nomes que eu não sei, que dia hoje, que mês estamos? Pouco importa,
detalhes como esse, mal sei de estará em casa, subo as escadas correndo, segurando
a caixa que voltei a por debaixo do braço, meu coração está acelerado, por dois
motivos, você e o esforço que fiz para subir as escadas, ofegante, coração
acelerado, paro na frente da porta, coloco a caixa no chão abro, coloco na mão
um pouco de purpurina dourado, aperto a campainha e espero para que abra a porta,
e quando a sua imagem entra em cena, me sinto em um filme, e a sua imagem vem
em câmera lenta, levanto a mão, tremo como era de se presumir, abro a mão de
leve e jogo a purpurina, vou soltando o mais lento que posso, e com o dourado
que começa a surgir, começo a proferir as minhas palavras:
– Guardei o meu sorriso para você, assim com os meus sonhos,
assim como o meu coração, não lhe chamo para completar a minha vida, te chamo
para complementá-la, te chamo para me fazer mais feliz e assim eu possa fazer
você feliz, na verdade esqueça, serei feliz na sua felicidade, e todos os
outros momentos que formos ter, tenha a certeza que guardei os meus melhores
sorrisos todos para você, e assim como o sol sempre volta a surgir, meu amor
sempre irá acordar todas as amanhãs comigo, a tarde ele ser aurora com as suas
cores, e a noite ele será as estrelas e a lua, na verdade meu amor será as
constelações não uma, meu amor será todas as constelações e se um dia achar que
isso não é suficiente, para você deixo a porta sempre livre.
Fazendo um gesto com a mão como se apontasse uma porta.
– Não posso guardar meu coração nessa caixa e te entregar
para provar como me sinto. Me abaixo em direção à caixa e tiro ela do chão. –
Mas trago nela uma flor, que como as flores pode cultivar o meu amor, ou o
deixar morrer, cabe você aceitar e regar, ou deixa que ele seque.
Meu coração tinha se calado ao som das minhas palavras, acredito
que ele tenha parado por conta da emoção, olhando em seus olhos me aproximo e
com uma mão passo os dedos no seu rosto, dou um sorriso puro de satisfação, me afasto,
e quando desço os primeiros degraus das escadas coloco a caixa em um deles,
corro em direção a rua, descendo as escadas tão rápido que quando cheguei ao
final, ainda esperava encontrar mais escadas.
Na mente apenas a sua imagem na porta, me olhando com aqueles
seus olhos tão belos que eu tanto amo.
“Eu lhe guardei todos
os meus sorrisos e quando quiser guardar todos os seus eu provavelmente estarei
esperando com a mesma porta aperta que lhe disse que poderia sair, mas para
isso sei que você precisar primeiro entrar” Dizia o bilhete junto a rosa.
K.L
P.S: Estou viva, e quero pedir desculpes pelo sumiço, muitos problemas, pouco tempo, tenho textos guardados que escrevi esse tempo todo.
Espero que gostem desse, é um tanto bobo na minha opinião, mas como eu sempre digo, quando escrevemos, deixamos a nossa existência como segundo plano para que criar várias personalidades que cada um tem as suas próprias emoções.