sábado, 11 de dezembro de 2010

Do real...

Ontem eu queria poder dizer bom dia!
...ao real! 

Luzes piscando em todos os lugares, eu não estou em foco, não faço parte dessa cena, não faço parte de um show bizarro de falsos sentimentos, todos dançam,  gritando suas mentiras, estão jogando o tempo todo, a luz é forte e a música pesada, ninguém se segura, são beijos, mãos, pés, ninguém sabe onde está o que, todos reparam uns nos outros julgando o que o outro faz, reparam tanto que esquecem que todos fazem igual.

Os dias são tão iguais entre bebidas, e focos de luz e o calor que não para, os pulos não param, são tantas coisas, e no ar sempre o sentimento de que algo está errado, dinheiro rasgado, queimado e lançado.

Vomito, olhos, pessoas, dor, felicidade, euforia, dor, felicidade, cansaço, euforia, dor, vomito, bebida, vodka, vomito, amigos, música, luz, beijos, felicidade, sexo,  dor, euforia, felicidade, cansaço, vomito, fim...? Que fim? Não há fim, estão todos em um ciclo medíocre, enquanto existir bebida, enquanto existir alguém para julgar, estão todos vivos.

Janela aberta e não venta, a cabeça roda sem sentindo, não sei para todos estão indo, deito e o chão parece grama, e todos estão rindo, rindo de suas próprias convicções.

Para onde vão todos? 
Acredito que nem eles saibam, estão seguindo o vazio que foi naquela direção e virou na esquina por ambição, e pretendem achar algo que não existe, apenas por saber que esse é o propósito de todos, todos aqueles que estão indo, indo para lá, estou imóvel, não quero andar para nenhum lugar, é tão difícil entender que não faço parte dessa dança macabra, estão todos indo, todos, todos mesmo, vão mesmo, eu prefiro a solidão, do que a falsa companhia.

Estou deitada ainda, todos já se forem, as luzes estão apagadas e o silêncio reina,  parece que não resta ninguém, estou sozinha, não sou como as flores, não sou como o vento, sou como sou apenas, sou alguém obstinada a solidão por não saber se encaixar nesse mundo de falsidade, mentiras e desilusões.

Ariane Castro

4 comentários:

Juliete Souza disse...

Oii!
Muito bom o texto. Me identifiquei muito com ele. Também acho que se for pra viver em meio a mentiras e falsidade, bem, melhor estar longe de todos.

=D

O Profeta disse...

Mas porque raio vejo em tudo
A musica sempre presente
Porque umas vezes me faz triste
Outras me deixa contente?

E fui cantador de prosas sem rima
E fui tenor de palavras sem sentido
Cantei invenções e perdidos sonhos
E nisto não fui um cantador contido

Cantei-te a vida que vivi
As coisas que me fazem sofrer
Neste palco ninguém morre
No aplauso julguei esquecer...


Doce beijo

Stephanie Pereira disse...

é complicado... sei lá, acho que nem sempre tudo é falso e automático, ainda prefiro acreditar que existe algo de belo e real em tudo isso...

Яaβs disse...

Muito bom o texto, realmente muitos vivem num mundo de ilusão onde tudo é igual e se contentam com uma felicidade momentânea e não percebem que quando colocam a cabeça no travesseiro tudo volta a ser como era antes...